Se você já leu sobre avaliação de imóveis, certamente viu referências à “NBR 14653-2”. Essa é a parte da norma brasileira de avaliação de bens dedicada especificamente aos imóveis urbanos — o segmento mais comum no dia a dia de corretores, engenheiros e avaliadores. Entender o que essa parte da norma estabelece ajuda a produzir laudos mais consistentes e a conversar com mais segurança sobre metodologia com clientes e colegas de profissão.
O que é a NBR 14653 e sua estrutura em partes
A NBR 14653 não é um documento único, mas um conjunto de normas dividido em partes, cada uma tratando de um tipo específico de bem: a parte 1 traz os procedimentos gerais aplicáveis a qualquer avaliação, a parte 2 trata de imóveis urbanos, a parte 3 é dedicada a imóveis rurais, e há partes específicas para máquinas e equipamentos, empresas e recursos naturais, entre outras. Essa divisão existe porque cada categoria de bem tem particularidades que exigem critérios próprios de análise.
O foco da NBR 14653-2: imóveis urbanos
A parte 2 da norma trata da avaliação de terrenos, casas, apartamentos, salas comerciais, galpões e outros imóveis situados em área urbana. Ela detalha os procedimentos específicos para identificação do imóvel avaliando, pesquisa de mercado, tratamento dos dados coletados e apresentação dos resultados, sempre em linha com os princípios gerais estabelecidos na parte 1 da norma.
Um dos pontos centrais dessa parte da norma é justamente a padronização da forma como o mercado urbano deve ser pesquisado e analisado, considerando que imóveis urbanos costumam ter uma oferta comparativa mais abundante do que imóveis rurais, o que favorece o uso de métodos comparativos diretos com maior robustez estatística.
Métodos de avaliação previstos
Embora o método comparativo direto de dados de mercado seja o mais utilizado para imóveis urbanos — por depender diretamente de amostras comparáveis disponíveis na região — a norma também prevê outros métodos, como o método evolutivo e o método da renda, aplicáveis em situações específicas em que a comparação direta não é suficiente ou adequada, por exemplo quando há poucas amostras comparáveis disponíveis no mercado local.
Graus de fundamentação e precisão na parte 2
A NBR 14653-2 estabelece critérios claros para classificar o grau de fundamentação de um laudo, que depende de fatores como a quantidade de amostras utilizadas, a qualidade do tratamento estatístico aplicado e a coerência dos resultados obtidos. Esses critérios ajudam qualquer pessoa que leia o laudo a entender, de forma objetiva, o quão confiável é aquela avaliação — em vez de depender apenas da reputação do profissional que assinou o documento.

Diferenças em relação a outras partes da norma
Embora compartilhem a mesma lógica geral de comparação de mercado, a parte 2 (urbana) e a parte 3 (rural) da norma diferem principalmente na natureza das variáveis analisadas: enquanto imóveis urbanos são comparados por características como área construída, padrão de acabamento e localização em bairro, imóveis rurais consideram fatores como qualidade do solo, aptidão agrícola e infraestrutura de produção, o que exige uma pesquisa de mercado bastante diferente entre os dois contextos.
Como a norma trata imóveis urbanos atípicos
Nem todo imóvel urbano se encaixa facilmente no padrão de casas e apartamentos residenciais. Salas comerciais, galpões logísticos e terrenos em fase de incorporação, por exemplo, exigem uma pesquisa de mercado mais específica, já que o número de amostras verdadeiramente comparáveis costuma ser menor do que no mercado residencial. Nesses casos, a NBR 14653-2 permite que o avaliador amplie a área de pesquisa ou combine métodos complementares, desde que essa escolha seja devidamente justificada no laudo, mantendo a transparência sobre os critérios adotados para chegar à conclusão de valor.
Perguntas frequentes
A NBR 14653-2 é obrigatória para qualquer avaliação de imóvel urbano?
Sempre que se busca um laudo tecnicamente fundamentado e reconhecido pelo mercado, pelo sistema financeiro ou pelo judiciário, seguir a NBR 14653-2 é a prática recomendada e amplamente adotada pelos profissionais da área.
Um mesmo profissional pode trabalhar com as partes 2 e 3 da norma?
Sim, desde que tenha a capacitação técnica adequada para cada tipo de imóvel, já que a pesquisa de mercado e as variáveis analisadas mudam bastante entre avaliações urbanas e rurais.
A norma define um valor mínimo de amostras para imóveis urbanos?
A norma estabelece critérios relacionados à quantidade e qualidade das amostras para fins de classificação do grau de fundamentação, sendo recomendável reunir o maior número possível de amostras verdadeiramente comparáveis ao imóvel avaliando.
A NBR 14653-2 também vale para lotes e terrenos vazios?
Sim, terrenos urbanos também são abrangidos pela parte 2 da norma, com pesquisa de mercado focada em outros lotes comparáveis da região, considerando fatores como localização, topografia e potencial construtivo.
Vale destacar também que a NBR 14653-2 é periodicamente revisada pela ABNT para acompanhar mudanças no mercado imobiliário e nas boas práticas de avaliação. Por isso, profissionais que trabalham com avaliação de imóveis urbanos precisam se manter atualizados sobre eventuais revisões da norma, garantindo que seus laudos continuem alinhados às exigências técnicas mais recentes e sejam aceitos sem ressalvas por bancos, tribunais e demais interessados no resultado do trabalho.
Leia também:
- Método comparativo direto de dados de mercado: como funciona na prática
- Modelo de laudo de avaliação imobiliária: o que não pode faltar
- O que é avaliação mercadológica de imóvel e quando ela é exigida
Como o Avalie ajuda nessa etapa
Para quem trabalha com imóveis urbanos no dia a dia, o Avalie foi desenhado para seguir a lógica da NBR 14653-2 automaticamente: captura amostras comparáveis dos principais portais imobiliários, aplica a homogeneização e o tratamento estatístico de acordo com os critérios da norma, e organiza tudo em um laudo em PDF completo. Conheça o Avalie e veja como ele pode facilitar suas avaliações de imóveis urbanos, com um investimento acessível.
